Água de Pau sempre que teve um vereador a tempo inteiro, avançou

RoberTo MedeirOs

A Vila de Água de Pau terá de ter sempre um vereador “a tempo inteiro” na Câmara da Lagoa, A história diz-nos que com ele a Vila de Água de Pau cresceu e se desenvolveu. Foi assim no período do Estado Novo, de ditadura, anterior ao 25 de abril de 1974, em que os vereadores eram nomeados pelo governo e quando no Estado Democrático passaram a ser eleitos pelo povo.

Recuemos à presidência camarária do Engº João Mota Amaral, de 1960 até 1972, e analisemos a atividade camarária do vereador nomeado por Água de Pau, Manuel Egídio de Medeiros [meu pai]. Apesar de não auferir salário algum, empenhou-se “a tempo inteiro” e a sua ação começou com: – O alargamento e correção de quase todas as ruas interiores da vila de Água de Pau, onde não circulavam furgonetas ou camiões, mas veículos de transporte animal. Na Caloura reuniu cinquenta mil escudos, para a compra dos materiais, junto dos moradores veraneantes e com trabalhadores da Câmara construiu a primeira piscina em 1964. Adquiriu Manuel Egídio de Medeiros, uma quinta a João Matos Costa para ali construir um jardim em frente à Igreja de Nª Sª dos Anjos, cedendo-a ao município pelo mesmo valor. Se quisesse, teria realizado e beneficiado dum melhor acesso direto ao seu estabelecimento comercial A Cova da Onça, mas o amor à sua Vila de Água de Pau, falou mais alto. Deslocou-se a expensas suas, aos Estados Unidos, Canadá e Bermudas, com o padre João Botelho Mota, para angariar os fundos necessários para pagar 50% dos custos com a construção do Salão Paroquial da Igreja de Nª Sª dos Anjos. Como presidente da Casa do Povo, adquiriu para aquela instituição, o terreno onde hoje está o Polivalente de Água de Pau, que mais tarde serviu de moeda de troca para que fosse ali construído pela Câmara da Lagoa o Polivalente de Água de Pau.

Após o 25 de abril, Manuel da Mota Melo, foi vereador eleito por Água de Pau “a tempo inteiro” na década de 1980.  Conseguiu que se pavimentasse todas as ruas de Água de Pau e o caminho de acesso à Ermida do Monte Santo. A ponte dos Moinhos e muitos outros trabalhos, foram realizados porque ele era um vereador pauense “a tempo inteiro”, conhecedor da sua terra e apoiava o seu presidente e o município nas melhores soluções para a Vila de Água de Pau.

Entre 1990 e 2009 Roberto Medeiros [eu próprio] fui vereador “a tempo inteiro” na presidência do Engº Luis Martins Mota. A compra do terreno e construção da Nova Escola de Água de Pau mereceu sempre o meu empenhamento desde o princípio do projeto até à sua concretização e abertura.

A construção do Polivalente de Água de Pau [no terreno adquirido por meu pai em 1973], assim como o acompanhamento das obras de recuperação da Ribeira do Santiago originadas pela inundação de 15 de dezembro de 1989, mereceu o meu empenho e responsabilidade como atesta o painel de azulejos na parede da casa da Dona Maria Joana Tavares do Canto, no largo do Santiago.

A compra, pelo Município, da “Casa da Estrela” para instalar a Junta de Freguesia da Vila de Água de Pau, a compra do antigo estabelecimento comercial “Mercearia Central” para núcleo museológico, na Praça e a aquisição de três moradias para instalar três famílias que viviam em situação precária foram propostas minhas.

A Vila de Água de Pau quando teve na Câmara Municipal de Lagoa um vereador “a tempo inteiro” sempre avançou!

Artigo de opinião publicado na edição impressa de setembro de 2021

Categorias: Opinião

Deixe o seu comentário