Alguns pensamentos sobre a vida, em tempos de autárquicas

Ricardo Tavares
Candidato pela CDU à Câmara Municipal de Lagoa

A Lagoa já foi uma terra de trabalho, não só na agricultura e nas pescas, mas também na atividade fabril. Isto determinou uma grande vitalidade, que foi sentida no inteiro concelho, mas que se foi apagando na medida em que as políticas da direita condenaram o trabalho em favor de uma economia baseada não na produção, mas na finança.
As consequências foram desastrosas, como podemos ver circulando pelas ruas do concelho. A pandemia pôs a nu muitos aspetos desta realidade, mas há quem continue a não querer reconhecer a raiz dos problemas. Instalou-se a praga da precariedade: as pessoas trabalham, como sempre o fizeram, mas em condições de extrema insegurança, passando de um programa para o outro, sem terem a possibilidade de construírem uma vida estável, de formarem uma família, de comprarem uma casa. Entretanto, alguns poucos juntam fortunas explorando mão de obra barata que, nestas condições, é fácil arranjar.

O trabalho mal pago e sem direitos está na raiz de todos os problemas que nos afligem. Atrás da falta de esperança, atrás da falta de futuro que as pessoas sentem, vêm todos os dramas sociais que bem conhecemos, e que não são fatalidades, mas sim consequências de escolhas erradas. Não me refiro só ao álcool e às drogas que tantos estragos provocam, originando violências familiares e comportamentos criminais, mas ao próprio vazio e isolamento em que as pessoas se encontram a viver.

O trabalho não é só um modo de obter o dinheiro necessário para a vida: é também a fonte da dignidade da pessoa, e o elemento em volta do qual se constrói todo um mundo de relações, de trocas, de cultura. Privar as pessoas de um trabalho significa retirar-lhe não só o pão, mas também a alegria.

É terrível ver os jovens sem horizontes, sem perspetivas, sem sonhos, até. Mas por muito que isto nos doa, não nos pode espantar. Transmitiu-se à juventude uma mensagem de resignação, contando-lhes que o compromisso com a política não serve de nada, e que nada muda. Ou que os partidos são todos iguais.


Nada de mais falso. A História demonstra que quando as pessoas se unem, a mudança acontece. Por isso os poderosos têm tanto medo de que o povo se una, a não ser em atividades inócuas, como festas e festarolas, ou pior ainda, em rituais de consumo.


Na CDU procuramos reagir contra estas mentiras, e no nosso dia a dia entusiasmamo-nos na luta por ideais grandes, mesmo num meio pequeno.


É esta necessidade – que as pessoas voltem a comunicar entre si, se organizem, decidam das suas vidas em primeira pessoa – o que mais nos une.

Quando reclamamos uma creche, um centro de dia, espaços de agregação ou condições para a cultura e para o desporto, estamos a pensar nas pessoas, em cada uma delas, e em como seriam mais felizes se rompessem aquela solidão em que vivem apesar de tantos contatos através dos seus telemóveis. Se deixassem de lado a resignação e a falta de compromisso pessoal, transformar o cinzento quotidiano seria possível. Votar ou não votar tem a ver com isto.

Artigo de opinião publicado na edição impressa de setembro de 2021


O Diário da Lagoa convidou os cinco candidatos à Câmara Municipal de Lagoa a expressarem as suas ideias aos leitores. Ricardo Tavares é o candidato pela CDU.

Categorias: Opinião

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