“As pessoas aqui são mais nossas amigas”

Rita, Natércia e Vitória trabalham na Casa Batista da Lagoa. Contam como é trabalhar no comércio local e falam da sua última conquista: foram as autoras da montra vencedora no Concurso organizado pelo NELAG – Núcleo de Empresários da Lagoa

Rita, Natércia e Vitória trabalham na Casa Batista © SOFIA MAGALHÃES/ DL

A menos de uma semana da véspera de Natal fomos visitar uma das lojas mais procuradas pelos lagoenses, a Casa Batista-Cordeiro & Batista, na Lagoa. O famoso “dia das montras” é uma tradição que já se cumpre há muitos anos um pouco por toda a ilha de São Miguel e desta vez foi a conhecida Casa Batista que, na opinião do júri, foi a mais criativa e original de todas as montras a concurso na Lagoa, organizado pelo NELAG – Núcleo de Empresários da Lagoa.
Apesar dos dias chuvosos a loja tem sido procurada nesta época natalícia desde o início de novembro. Ao entrar no espaço, verifica-se muita afluência de clientes e as lojistas empenhadas nas suas vendas.

Vitória Sousa, Natércia Rego e Rita Moniz são as autoras da montra vencedora da Lagoa. Utilizaram materiais naturais, como rolhas e erva-das-pampas (um tipo de planta) para embelezar a montra. Admitem que a montagem, devido à afluência de clientes, foi feita nas horas de almoço, não só porque gostam realmente do que fazem mas também porque os comentários positivos das pessoas ao passarem na loja motivou-as. Rita admite que a inspiração para o processo criativo foi feita na internet e com os outros comerciantes para que não existisse uma grande divergência e sim uma harmonia nas montras, cujos prémios variaram entre os 300, para o primeiro lugar, e os 100 euros, para o terceiro classificado.

Vitória é a mais nova da equipa, com 29 anos. Apesar de estar há apenas quatro meses na loja da Lagoa, admite que a grande diferença nesta época natalícia entre o “comércio tradicional” e as grandes superfícies é o atendimento: “as pessoas aqui são mais nossas amigas, eu adoro isto, é muito diferente do que eu estava habituada, para não falar que me dá um horário onde tenho tempo para a família, deixo a minha filha na Ama e venho para cá”. Rita partilha da mesma opinião de Vitória, gosta muito daquilo que faz, e admite que adotam uma política de igualdade na loja: “cada uma é responsável por si, não existe propriamente um chefe” e exemplifica, num tom de brincadeira, que cada uma tem uma tarefa “porque a chave não se divide em três”.

Rita Moniz é a “porta-voz” da equipa e conta-nos que está na Casa Batista há 15 anos. “Quando tinha 18 anos estava à procura de emprego e sempre gostei muito deste tipo de trabalho”. A interação com os clientes diz ser a sua parte favorita, “quando era mais nova gostava muito de brincar às lojas e portanto fazia todo o sentido” enveredar por este ramo.

No Natal de 2020 a lojista diz que a loja teve procura, apesar de ter sido um ano complicado devido às infeções por covid-19. Rita comenta que tudo o que vai do armazém para a loja é retirado dos caixotes antes de ir para a loja: “não tivemos de adotar medidas muito diferentes porque antes do covid já se fazia isso”.

Fomos tentar perceber quando é que os clientes começam a procurar os presentes ideais. As lojistas, em conversa com o DL, disseram-nos que as pessoas começam “quando recebem os subsídios”, algumas ainda em novembro. Admitem que têm mais dois tipos de clientes, aqueles que vão fazendo as compras espaçadamente e aqueles que vão à última da hora porque não encontram o que estavam à procura nas grandes superfícies.

A entrevista terminou com uma fotografia das três vencedoras do concurso de montras e sem hesitar voltaram a pôr mãos à obra com um sorriso no rosto, mesmo que por baixo das máscaras.

Montra da Casa Batista venceu o primeiro prémio © CML

Para além da Casa Batista, que ficou em primeiro, o segundo lugar foi atribuído ao Atelier Gorete Andrade e o terceiro à Óptica Mina.

Sofia Magalhães
com Clife Botelho

Reportagem publicada na edição impressa de janeiro de 2022

Categorias: Reportagem

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