Associação de Pais da EBI de Lagoa quer vertente de artes e ofícios no ensino

A Associação e Pais e Encarregados de Edução da EBI de Lagoa (APEEEBIL) tem nova direção, e um dos principais objetivos, do atual mandato, é ter uma sede própria, de preferência dentro das instalações escolares, na Escola Padre João José do Amaral, porque, segundo o presidente da associação de pais, “atualmente, sempre que necessitamos de reunir, temos que comunicar ao conselho executivo, que por sua vez comunica a um funcionário para abrir a escola e torna todo o trabalho mais difícil, além de não termos um espaço próprio para poder desenvolver o nosso trabalho em condições”.

“Não é a falar por e-mail ou por telemóvel que se consegue concertar ideias, e numa sede própria o trabalho poderia ser feito uma forma muito melhor”, salienta André Almeida.

A médio prazo a prioridade mantém-se a tão desejada a remoção do amianto da escola, lembrando as reuniões da anterior direção, aguardando da parte do governo o inicio desse trabalho, sendo que estarão atentos a esse problema.

André Almeida lembra que o amianto não é o único problema da escola, existindo também alguns problemas de funcionalidade, situações de adaptação da escola às novas realidades, quer para os alunos como para o próprio corpo docente.

Por outro lado, outro objetivo do presidente da APEEEBIL, mais arrojado, é que fosse criada uma vertente de artes e ofícios, sendo que, na Lagoa, poderia ser criado um projeto piloto.

“Lembro-me que noutros tempos haviam cadeiras ligadas a esta área e desenvolvia muito a competência, a destreza e a criatividade dos alunos, ao contrário do que acontece atualmente”, lamenta.

André Almeida adianta que desenvolvendo-se essas competências, mais tarde, muitos dos alunos podem ter um contato prático com artes e ofícios, sendo essa uma vantagem, principalmente para os que não prosseguem o ensino superior.

“O mercado está carente de pessoas especialidades, nomeadamente na parte de artes e ofícios, e é preciso começar mais cedo. Vemos muitas crianças na ‘malandragem’, e não há necessidade de manter essa situação e esta valência seria um complemento, ensinando o mínimo de competências para que possam seguir futuramente”, salienta.

O presidente da APEEEBI de Lagoa lembra que atualmente mantém-se muito a dependência do Estado e há que alterar essa situação.

Admite que será um trabalho difícil, mas no âmbito da retificação do plano estratégico, pretendem propor essa alteração ao Concelho Executivo da EBI de Lagoa, para que este possa junto da Direção Regional da Educação, fazer o possível para que se possa voltar a lecionar essas áreas.

Outra situação que a associação de pais pretende melhorar tem a ver com a alimentação escolar, onde têm surgido queixas de alguns pais.

Segundo relatam alguns pais, a comida não tem variado muito e não tem sido confecionada da melhor forma, com muitas queixas de alunos.

André Almeida recorda que antigamente a comida era confecionada na escola, hoje, concessionada através de empresas, são impostos custos e a qualidade da alimentação fica em causa.

“A alimentação deveria voltar a ser confecionada pelas escolas, os alunos iriam ser melhor alimentados. Se for peixe, tem de haver mais peixe que batata, se for sopa, não pode ser só água”.

Mas André Almeida lembra que em casa também os alunos têm de ser ensinados porque, tem visto na compra de senhas, alguns pais a não comprarem para dias de certas comidas. “Está a ser criada uma geração onde uns gostam de umas coisas outros de outras, e não pode ser, os pais têm de ter aqui também responsabilidades de educar os seus filhos a saberem comer de tudo”.

Noutro âmbito, a atual direção quer uma maior participação dos pais nas atividades da associação, vendo com satisfação a maior participação de pais na última assembleia geral, assim como no ato eleitoral. “Os pais não podem só ficar em casa, criticando, têm também de participar até porque, a união faz a força”, lembra.

Há ainda um outro assunto que a associação de pais pretende resolver, que tem a ver com a participação da associação no Concelho Pedagógico que reúne em horário laboral, e assim impossibilita a participação da APEEEBIL. O objetivo é que a reunião possa ocorrer em horário pós laboral, pois só assim conseguem estar presentes, podendo dar o seu contributo.

 “Sei que este assunto tem vindo a ser reivindicado por direções anteriores, mas não tem sido possível, possivelmente por falta de vontade”, ressalva.

Outra situação que a direção da APEEEBIL pretende ver alterada tem a ver com a atribuição dos prémios de mérito, para que não sejam atribuídos de forma discriminatória, o que, nos moldes atuais, entende que o sejam.

“Os diplomas de mérito estão a promover a descriminação entre alunos, não podem estar ligados à vertente das disciplinas, em função das notas, porque isso pode levar à pressão e frustração nos alunos para conseguirem as notas durante o estudo”.

André Almeida entende que deveria ser promovido o mérito de colaboração, além do cívico e desportivo já existentes, onde os melhores alunos deveriam ser chamados a ajudar os outros, participando mais em mais atividades escolares.

Admite o responsável que muitos desses alunos possam ser levados a serem egoístas, devido à obsessão de resultados, o que poderá a influências negativas no futuro.

“O que se pretende é uma sociedade diferente da atual, numa sociedade onde estes valores não possam sobressair. Queremos uma sociedade ativa e não dependente, criando mais opções”, disse.

DL
(Artigo publicado na edição impressa de dezembro de 2019)

Categorias: Educação

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