Atlânticoline admite recorrer à Direção de Trabalho para diálogo com trabalhadores

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A empresa de transporte marítimo dos Açores Atlânticoline admitiu esta sexta-feira, 3 de dezembro, solicitar intervenção da Direção dos Serviços de Trabalho para “ultrapassar o impasse” nas negociações com o sindicato que representa os trabalhadores, que estão em greve.

O Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pesca (SIMAMEVIP) convocou uma paralisação, em vigor desde quarta-feira, referindo agora a operadora de transporte marítimo que desenvolveu “um último esforço no sentido de um acordo entre ambas as partes, para revisão do Acordo de Empresa e desconvocação da greve”.

A empresa refere, em comunicado de imprensa, que, na quinta-feira, “comunicou ao sindicato a intenção de, no caso do impasse negocial se manter durante os próximos oito dias, solicitar a intervenção da Direção dos Serviços de Trabalho, para resolução do diferendo pelo procedimento por conciliação, nos termos do artigo 523.º e seguintes do Código do Trabalho”.

A Atlânticoline diz que voltou a “fazer uma proposta de valorização salarial transversal a toda a empresa e não apenas a uma única categoria profissional, como defende o sindicato, tendo como contrapartida uma solução com fundamento e enquadramento jurídico para caminhar no sentido da resolução do limite legal do trabalho suplementar”.

“Até à data o sindicato rejeitou todas as propostas apresentadas pela empresa, nunca propondo qualquer tipo de alternativa, mostrando que não está interessado em ser parte da solução”, refere a empresa.

No comunicado, a Atlânticoline diz que “está, como sempre esteve, disponível para negociar propostas construtivas e que se vinculem a soluções duradouras e não apenas respostas avulsas e dirigidas a uma única categoria profissional, ignorando a resolução de situações laborais cujo enquadramento se impõe, de forma vantajosa para os trabalhadores e para a empresa”.

Clarimundo Batista, dirigente do SIMAMEVIP, declarou à Lusa que os trabalhadores “não vão se sentar à mesa com a empresa”, após cinco reuniões que considerou infrutíferas, alertando que a Atlânticoline “usa e abusa do trabalho extraordinário”.

O dirigente sindical refere que a greve, que vai decorrer até agosto de 2022, terá lugar não de forma contínua mas em “determinados períodos” considerados estratégicos para conseguirem assegurar um aumento salarial de 70 euros pelo período de dois anos.

O Tribunal Arbitral definiu como “serviços mínimos diários” quatro ligações de 1 a 31 dezembro: duas entre Madalena e a Horta e duas no sentido inverso.

Como serviços mínimos foram ainda decretadas quatro ligações de 1 a 15 de dezembro (Horta/Madalena, Madalena/Velas, Velas/Madalena, Madalena/Horta) e outras quatro viagens de 16 a 31 de dezembro (Horta/Madalena, Madalena/Velas, Velas/Madalena e Madalena/Horta).

Lusa/ DL

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