Atleta do Clube Náutico de Lagoa é vice-campeão do mundo de jet ski

Gonçalo Rodrigues já foi uma vez campeão do mundo, três vezes campeão europeu, dez vezes campeão nacional e agora é o segundo melhor do mundo. O Diário da Lagoa quis conhecer melhor o atleta do clube lagoense

Gonçalo Rodrigues soma dezenas de títulos e é atleta do Clube Náutico de Lagoa © D.R.

Gonçalo Rodrigues tem 21 anos, é natural dos Arrifes, estuda pilotagem de navios, em Lisboa, e é atleta do Clube Náutico de Lagoa. O campeonato do mundo de jet ski GP2 e GP3, em Itália, iniciou-se a 17 de setembro. Este era um dia fulcral para decidir a ordem dos pilotos na partida,”mais perto ou mais longe da primeira boia”, sublinha.

À semelhança de 2019 Gonçalo voltou a subir ao pódio, desta vez como vice-campeão mundial. Competiu também em GP2 para “ganhar rodagem de forma a preparar 2022” alcançando o quarto lugar. No primeiro dia, Gonçalo Rodrigues na classe de Ski GP3, começou por ser o mais rápido fazendo o melhor tempo com diferença de uma centésima de segundo para o segundo lugar. No segundo dia, venceu a primeira manga do início ao fim da corrida tendo, na segunda manga alcançado um segundo lugar, a qual o piloto açoriano refere que se deveu “a uma má escolha de circuito alternativo que me custou uma posição”.

No último dia de corrida e com tudo em aberto para os primeiros três pilotos com hipóteses de serem campeões, no arranque Gonçalo admite que não se saiu muito bem, acabando a manga em quarto lugar.
O Diário da Lagoa quis saber mais sobre a prova e sobre o atleta que tem dado que falar.

DL: Quem é o Gonçalo?
Sou uma pessoa super tranquila, calmo às vezes demais. As pessoas que me rodeiam até ficam irritadas por tanta tranquilidade. Tenho espírito de luta, embora muitas vezes não seja valorizado o trabalho que é feito por mim e pela minha equipa, vamos sempre atrás de melhores resultados. É impossível estar no patamar que estou sem a ajuda de muitas pessoas. Obviamente que os meus pais são o pilar mas depois também tenho os meus familiares que dão uma ajuda importantíssima. Toda a estrutura técnica, preparar os fios o pessoal da logística, são todo um conjunto de coisas que levam a vida a bom porto.

DL: Nesses três dias quais foram os adversários que dariam mais luta?
Eu sabia que a concorrência estava forte porque já tinha feito o campeonato da Europa e embora não estivesse muito bem, sabia que os adversários iam ser praticamente os mesmos, logo a minha concorrência direta eram os pilotos da Estónia, da Noruega e de Itália.

DL: O que é uma manga na linguagem do jet ski?
É uma corrida que tem a duração de 15 minutos, temos um circuito e um x de voltas. Em GP3 foram nove voltas e em GP2, 11 voltas cada manga.

DL: Como funciona o primeiro dia de prova?
Nas qualificações são só dispensados pilotos se houver mais de 25, o objetivo da qualificação é definir a ordem que se sai da partida, mais perto ou mais longe da primeira boia.

DL: Dedica-se a 100% ao jet ski?
Não, neste momento estudo pilotagem de navios em Lisboa.

DL: Acha que se não tivesse a tirar este curso conquistaria mais títulos?
De certa forma eu acho que sim. A falta de apoios não dá para ir a muitos campeonatos. Grande parte dos pilotos que fazem o mundial e o europeu, fazem também os campeonatos mais competitivos da Europa tanto o campeonato francês como o campeonato belga são campeonatos fortíssimos. Se frequentasse todas essas provas aí é que tinha outra rodagem, conseguindo por também outros apoios. Por outro lado, possivelmente se eu fizesse esses campeonatos, conseguiria aguentar o campeonato do mês ganhando assim um pouco mais de ritmo de corrida.

DL: Como é que foi parar a esta modalidade?
Através do meu pai que está ligado à modalidade, relacionado com as motas de água, foi por aí que começou o bichinho.

DL: Num ano normal, quantas corridas costuma fazer?
Este ano tive sete corridas, dois europeus, este mundial, três nacionais e um campeonato dos Açores.

DL: Como são planeados os treinos?
Durante a semana faço ginásio e bicicleta, descanso à sexta e à segunda-feira. Aos fins de semana faço os treinos na água, que costumam durar uma hora e meia. Faço três mangas de 15 minutos, à semelhança de uma corrida, e o objetivo é tentar simular o máximo daquilo que pode acontece na corrida.

DL: Quais são os prémios mais importantes que já ganhou?
Em 2019 fui campeão do mundo, aqui em Itália, onde competi este fim de semana em GP3, tinha 19 anos. Já fui dez vezes campeão nacional, três vezes campeão europeu, já fui vice-campeão do mundo também mas nos Estados Unidos, já fui campeão iberico e regional inúmeras vezes.

DL: Qual é a diferença do GP1 para o GP2 e GP3?
Para explicar melhor vou comparar com outra modalidade: GP1 é como se fosse Fórmula 1, é a elite do jet ski. GP2 é a classe ligeiramente abaixo é tipo o rally que houve agora nos Açores. A GP3 é a classe onde só entram séniores mas os jet skis são limitados, por isso é uma das classes mais competitivas do jet ski.

DL: Quais são os planos para o futuro?
Gostava de começar a fazer melhores resultados, quando entramos numa corrida vamos sempre com vontade para ganhar sabendo, já à partida, qual é a classe que vamos apostar mais. Este ano como apostei mais no GP3 no próximo ano gostava de apostar mais em GP2. Depois quero acabar os estudos obviamente e continuar o trabalho que tenha feito a nível desportivo, tentar nunca deixar para trás a parte desportiva.

Sofia Magalhães
com Clife Botelho

Entrevista publicada na edição impressa de outubro de 2021

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