Autoridade de Saúde dos Açores agrava medidas devido a alto risco na Terceira

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A Autoridade de Saúde Regional dos Açores disse esta quarta-feira, 21 de julho, existir transmissão comunitária de covid-19 na ilha Terceira, estando previsto um agravamento das medidas de contenção do contágio nesta ilha, agora em “alto risco” de infeção pelo novo coronavírus.

“Temos alguns casos que não estão associados às cadeias existentes. No todo dos casos são poucos, mas a verdade é que existem. Portanto, não vale a pena estarmos a adiar o declarar de uma situação de transmissão comunitária, até porque interessa aplicar medidas em consonância com essa situação, de forma a tentar mais rapidamente identificar novos casos”, adiantou, em declarações à Lusa, o diretor regional da Saúde dos Açores, Berto Cabral, responsável máximo pela Autoridade de Saúde Regional.

As medidas aprovadas em Conselho de Governo, a aplicar a partir das 00h00 de sábado, só deverão ser conhecidas na quinta-feira, mas a ilha Terceira, que deixou de ter transmissão comunitária identificada em março e estava há vários meses em muito baixo risco de transmissão do SARS-CoV-2, deverá passar ao nível de alto risco, segundo o responsável.

“No caso da Terceira, passa de uma situação de muito baixo risco para alto risco. Vamos ter, naturalmente, de ter medidas diferentes das que tínhamos até agora”, afirmou o diretor regional da Saúde.

Segundo Berto Cabral, havendo transmissão comunitária na Terceira, passa a ser obrigatória a realização de testes de despiste nas viagens interilhas “à partida da Terceira ou à chegada da ilha de destino, à semelhança do que vinha acontecendo há alguns meses com os viajantes com origem da ilha de São Miguel”.

Haverá ainda obrigatoriedade de realização de testes para participar em casamentos e batizados, como acontece já na ilha de São Miguel, para “permitir que os eventos possam acontecer, mas com maior segurança”.

Os Açores registaram, nas últimas 24 horas, 72 novos casos de infeção pelo novo coronavírus que provoca a doença covid-19, dos quais 38 na ilha Terceira e 34 em São Miguel, somando 436 infeções ativas.

Os números divulgados no boletim diário da Autoridade de Saúde Regional só se aproximam dos de 10 de abril, altura em que o arquipélago registou 76 novos casos (75 em São Miguel e um na Terceira, registando um total de 264 casos ativos de covid-19).

Apesar de haver uma “taxa de vacinação considerável”, com metade da população dos Açores já totalmente vacinada, e de a grande maioria dos novos casos ser em “pessoas mais jovens” o diretor regional da Saúde disse que a situação merece “preocupação”.

O responsável da Autoridade de Saúde Regional admitiu que o aumento do número de novos casos “já era expectável”, tendo em conta a existência de maior circulação de pessoas e o aumento de turismo interno e externo nos Açores.

“Se olharmos também para o todo da região, passámos a assistir a um maior número de casos, mesmo que não muito significativo, noutras ilhas. É também evidente que a maior circulação das pessoas tem contribuído para isso”, disse.

“Temos mais turismo de fora da região, temos mais turismo interno, estamos no período de férias por excelência, é também um fator que neste momento está a contribuir para o maior número de casos”, acrescentou.

Berto Cabral disse que contribuíram também para este aumento de casos um maior relaxamento das pessoas nas ilhas onde a situação epidemiológica estava estável e a predominância da variante Delta. 

“Em cenários de maior número de contactos e sendo a estirpe Delta aquela que está em 100% dos novos casos na Região Autónoma dos Açores, é natural que também esteja a contribuir para um aumento mais rápido do número de casos”, apontou.

A 8 de julho, o secretário Regional da Saúde, Clélio Meneses, disse em conferência de imprensa que os eventos públicos culturais e desportivos no arquipélago podiam realizar-se em todos os concelhos dos Açores a partir de dia 10 e, nos casamentos e batizados, começam a ser exigidos testes ao SARS-CoV-2.

Até então, nos Açores estava suspensa a realização de “eventos públicos promovidos pela administração regional, incluindo institutos públicos e empresas do setor público empresarial regional” nos concelhos com médio, médio alto e alto risco de transmissão do coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, havendo a recomendação para que autarquias e entidades do setor privado seguissem a mesma medida.

“Nos concelhos de muito baixo risco, há uma limitação de lotação de metade da respetiva capacidade. Nos de baixo risco, é de um terço da respetiva capacidade e, nos concelhos de médio risco ou superior, um quarto da respetiva capacidade e sujeitos a plano de contingência”, revelou Clélio Meneses.

Lusa/ DL

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