BE pede audições no parlamento açoriano sobre Hospital de Ponta Delgada

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O BE vai requerer, no parlamento regional, audições da presidente do conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada e secretário regional da Saúde para esclarecer “todos os graves problemas” na maior unidade de saúde dos Açores.

A informação foi avançada em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, numa conferência de imprensa onde o coordenador regional do BE nos Açores, António Lima, adiantou que o partido vai entregar hoje o pedido a solicitar audições na comissão de assuntos sociais do parlamento regional do “Sindicato Independente dos Médicos e dos representantes das ordens dos médicos e enfermeiros”.

“Queremos com estas audições, em primeiro lugar, transparência e prestação de contas”, sustentou António Lima, deputado do BE no parlamento regional, apontando que “nos últimos meses” se sucedem “polémicas, problemas e queixas graves que envolvem o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) e o seu novo conselho de administração (CA)”.

O coordenador regional do BE realçou que “as denúncias vindas a público revelam situações incompatíveis com um estado de direito democrático e atentam contra a liberdade sindical”.

Entre as denúncias estão “nomeações feitas pelo conselho de administração que claramente indiciam favorecimento de familiares de membros do CA”, diz o BE. 

“Existem nomeações feitas por este conselho de administração que claramente indiciam favorecimento de familiares de membros do próprio Conselho de Administração, incluindo a nomeação da cônjuge do diretor clínico para diretora do serviço de endocrinologia e a nomeação do cônjuge da presidente do conselho de administração para vários cargos no hospital: responsável da Unidade de Epidemiologia Clínica, Controlo Infeção, Investigação e Informação Saúde, vogal da Comissão de Emergência para a Pandemia de COVID19, e vogal da Comissão Técnica para a Pandemia da COVID19”, precisa a nota de imprensa dos bloquistas.

De acordo com o BE, o médico em questão, Mário Freitas, cônjuge da presidente do Conselho de Administração do hospital, “não tem vínculo ao HDES, mas é o médico responsável pela saúde ocupacional no HDES através de uma empresa que pertence a familiares diretos do diretor clínico do hospital, onde o próprio diretor clínico do hospital trabalha em acumulação ilegal de funções”, explicou António Lima, deputado do Bloco de Esquerda.

“Essa acumulação de funções do Diretor Clínico do HDES na empresa de seus familiares que detém uma relação contratual com o HDES coloca totalmente em causa a sua isenção e imparcialidade”, concluiu.

Outras das questões prende-se com um alegado ataque informático no Hospital de Ponta Delgada.

“Desde finais de maio que são públicas notícias acerca de um alegado ataque informático no HDES, sobre o qual poucas ou nenhumas explicações são dadas”, sustentou António Lima.

Para o deputado do BE, o secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, “tem estado ausente e muito pouco interventivo” em relação “aos problemas que têm surgido no conselho de administração no Hospital do Divino Espírito Santo”

O coordenador regional do BE disse que o Bloco “já fez um requerimento escrito” sobre a questão informática no Hospital, mas “não teve resposta até agora”.

“O que é que está em causa, que investigações tão a ser feitas, que entidades judiciais e policiais estão a intervir. Porque não se pode falar num ato que, provavelmente, a ser verdade, constitui um crime gravíssimo e parece que é apenas um computador que avariou. E, não é disso que se trata. É muito mais grave e coloca em causa a atividade do Hospital”, apontou.

António Lima disse esperar que os outros partidos com assento no parlamento açoriano “acompanhem esta pretensão” do BE para as audições solicitadas serem “realizadas o mais brevemente possível” e “tudo seja esclarecido”.

“Acima de tudo, pretendemos que a atuação deste CA seja conforme a lei e em defesa do interesse público, o que infelizmente não parece estar a acontecer de todo com a conivência do Governo e dos partidos que o apoiam”.

Para o BE, o eventual “chumbo” destas audições “significará naturalmente uma tentativa de manter a opacidade e a falta de clarificação que existe sobre estes assuntos”.

“Existe um claro clima de litígio permanente entre o CA e os seus profissionais o que coloca em causa o bom funcionamento desta instituição”, vincou António Lima.

Lusa/ DL

Categorias: Saúde

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