Câmara de Ponta Delgada abre inquérito na recolha de lixo

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A Câmara de Ponta Delgada vai abrir “um inquérito ao cumprimento dos deveres laborais durante a jornada normal de trabalho” na recolha de resíduos, por suspeitas de alegados incumprimentos de alguns trabalhadores, foi hoje anunciado.

“Ordenei a abertura de um inquérito ao cumprimento dos deveres laborais durante a jornada normal de trabalho, do dia 11 de setembro em diante, para que possamos distinguir aqueles que estão a cumprir com as suas obrigações para com o concelho e aqueles que não estão, para que seja dado o tratamento adequado a estas situações”, afirmou a presidente da Câmara.

Maria José Duarte falava numa conferência de imprensa, a propósito da greve dos trabalhadores de recolha de resíduos.

Os trabalhadores da recolha noturna de resíduos sólidos urbanos da Câmara de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, estão em greve ao trabalho extraordinário há cerca de duas semanas e meia, reivindicando, nomeadamente, o pagamento do suplemento de penosidade e insalubridade.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) emitiu um pré-aviso de greve, para sábado, ao horário completo da recolha de lixo.

Hoje, na conferência de imprensa, a autarca de Ponta Delgada sustentou que “ao trabalho normal ninguém está de greve e é esse que alguns trabalhadores estão a incumprir”.

“Também sabemos que há trabalhadores que estão a incumprir com os seus circuitos de recolha, que deixam lixo para trás em zonas onde passam muito antes de terminar a sua jornada normal de trabalho, que estão a fazer o circuito mais devagar do que fazem habitualmente e até que estão a ameaçar os colegas que estão a cumprir com o seu trabalho”, sustentou.

Maria José Duarte apontou as “falhas”, desde “o dia 11 de setembro”, na recolha noturna de resíduos “em algumas zonas do concelho, com prejuízos evidentes para a salubridade do espaço público e para os munícipes”.

“A saúde pública exige que o lixo seja levantado e nós estamos a levantar o lixo que aqueles trabalhadores deixaram para trás, durante a sua jornada de trabalho normal, com o apoio de muitas juntas de freguesia, a quem agradeço a cooperação. Quando necessário, recorreremos a empresas, como temos recorrido várias vezes, desde 2018″, referiu.

Quanto ao pagamento dos subsídios reivindicados pelos trabalhadores, a autarca lembrou que foi pedido um parecer “com urgência” à entidade competente, esclarecendo que têm sido pagas “todas as horas extraordinárias” e “um subsídio de fixação desde 1987”.

“Apelamos a que os nossos munícipes não coloquem lixo no sábado para ser recolhido, uma vez que respeitaremos integralmente a greve marcada para a noite de sábado para domingo. Da nossa parte faremos o que tem de ser feito: respeitando o direito à greve, mas não cedendo a ilegalidades”, vincou Maria José Duarte.

Contactado pela Lusa, o presidente da direção do STAL disse que a abertura do inquérito “só acontece por se estar a poucos dias das eleições” autárquicas, frisando que “o problema da acumulação de lixo depende unicamente da Câmara”, que “foi alertada para a necessidade do reforço do quadro de pessoal da recolha noturna de lixo nos últimos anos.

José Correia afirmou que “a Câmara perante a opinião pública quer dar a ideia que não tem culpa nenhuma quando tem”, assegurando que “os trabalhadores têm feito, todos os dias, o período normal de trabalho”.

“A Câmara não pode levantar um processo de intenções contra os trabalhadores quando eles cumprem religiosamente o seu horário e recolhem o lixo como faziam dantes. O que eles não estão a fazer é o trabalho extraordinário”, esclareceu, reforçando que o Orçamento do Estado “obriga a autarquia a pagar os suplementos” reivindicados pelos trabalhadores.

Lusa/ DL

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