Cesteiros antigos de Água de Pau: a família Vieira Pexinha

Roberto Medeiros

Muitas famílias da Vila de Água de Pau viviam desta atividade, quando nas décadas de 1950/60/70 ocorreu uma forte emigração das mesmas para os Estados Unidos e Canada.

Manuel Vieira ‘Pexinha’, um cesteiro da histórica e nobre atividade pauense © D.R.

Foi o que aconteceu em parte com a família de Manuel Vieira ‘Pexinha’, cuja casa contava com três cesteiros (Pai Manuel, filhos Duarte e Manuel).  Hoje Manuel, o único cesteiro vivo desta família, vive no Canada e essa atividade recorda-a apenas, numa visita aos cesteiros atuais, quando à terra volta com saudade. As imagens que mostramos são do período em que pai e filhos desenvolveram trabalhos dignos de registo histórico, desta atividade que muito orgulha a comunidade pauense.

Os cesteiros da Vila de Água de Pau já não têm o fulgor doutros tempos, mas continua a contar ainda com alguns bons resistentes no ativo, como a família João Andrade e filho Alcídio e Gilberto Róia. E, sazonalmente, os irmãos Roias, o José do Couto, o Victor Arruda e outros.

A arte da cestaria começou nos Açores com o povoamento destas ilhas. Para os primeiros povoadores e até há bem poucos anos as cestas eram fabricadas como artefactos de valor utilitário para transportar e armazenar alimentos, ou transportar objetos. Posteriormente, as cestas foram elaboradas também para serem utilizadas com finalidade decorativa.

Desde sempre e até hoje os cestos e as cestas de vimes da Vila de Água de Pau são fabricadas pelos seus habitantes, tendo sido considerado, no passado, um importante ofício da terra.

Foram surgindo ao longo dos tempos indústrias de vimes nesta terra, tendo a última encerrado as suas portas na década de 1960 com a emigração dos seus principais cesteiros para os EUA e Canadá.

Visitei em New Bedford, nos Estados Unidos, um dos cesteiros que mais deu a cara pela cestaria pauense divulgada em feiras em cidades portuguesas, e particularmente em Lisboa. Tive a surpresa de ver como este antigo cesteiro ainda guarda uma das ‘malas-de-viagem’ em vime que os cesteiros da Vila de Água de Pau fabricavam para quem emigrava. Cheguei a vê-las também no terminal do antigo aeroporto de Santana nos anos 60s., quando ia com meu pai, na nossa ‘station’ Volkswagen, levar familiares ou amigos pauenses, para embarcar. Só havia um único ‘carro-de-praça’ em Água de Pau e como quase todos eram nossos amigos e clientes da nossa “Cova da Onça” ou afilhados de meu pai, era ele que os transportava. Alguns eram também cesteiros.

No entanto, esta atividade continuou com fulgor na mesma em oficinas nas moradas dos cesteiros ou até mesmo dentro de casa, já que era uma atividade familiar, na maioria das vezes.

Com o passar do tempo este ofício passou a ser dividido entre os fabricantes de cestas: basket makers, e os decoradores de cestas para presentes: basket decorators.

As cestas da Vila de Água de Pau são confecionadas em vime, com variados formatos e tamanhos.

As cestas decorativas poderão ser mais elaboradas aplicando-se várias técnicas de bordados, e pinturas até. Com o vime os cesteiros também podem conceber mobiliário pequeno ou com estrutura em madeira forrada e decorada a vime também.

Segmento do capítulo do livro de Roberto Medeiros,
a publicar, sobre A Vila de Água de Pau, “Cestaria em Água de Pau”

Categorias: Opinião

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