De um ‘gin’ e de um hotel nasce uma fundação para preservar o mar dos Açores

© Ocean Azores Foundation

De um investimento feito por um casal de ingleses, que foi para os Açores para abrir um hotel ’boutique’ sustentável e acabou por criar um ‘‘gin’’, nasceu a Ocean Azores Foundation, que pretende contribuir para a proteção de cetáceos.

“Nove ilhas, um oceano”, é o lema da fundação criada por Ali Bullock e Caroline Sprod.

O casal de ingleses foi aos Açores em lua-de-mel, em 2006, para ver baleias, e decidiu regressar, “em 2018, quando chegou a altura de deixar Hong Kong”, onde viveu durante 12 anos, contou à Lusa Ali Bullock.

O Solar Branco Eco Estate, que abrirá no próximo ano, e o ‘gin’ Baleia, que já está à venda, irão ajudar a financiar a Ocean Azores Foundation, que tem como principal missão a proteção de cetáceos no mar dos Açores.

A missão é concretizada canalizando fundos para projetos de conservação marinha, de redução de plástico no oceano, nomeadamente iniciativas de limpeza costeira e projetos de educação e investigação.

Serão também feitas doações a organizações sem fins lucrativos da ilha de São Miguel.

Para o trabalho são convocados, além da administração da fundação e de uma equipa de voluntários, uma rede de parceiros, que conta com “empresas de ‘whale watching’ [observação de baleias], centros de mergulho e hotéis que se juntaram para participar em iniciativas de proteção do oceano”, adianta o fundador.

A fundação irá participar em projetos comunitários já existentes, financiar alguns dos parceiros e organizações que promovem a sustentabilidade marinha e o turismo sustentável e partilhar os resultados dos vários projetos.

“Parte do que queríamos fazer era retribuir à população local, para agradecer à comunidade açoriana por ser tão acolhedora. Quando estava a criar o ‘gin’, queria criar um ‘gin’ que retribuísse e que fosse orgulhosamente açoriano, queria que refletisse os Açores”, explicou o empresário.

Esse contributo começa com uma embalagem sustentável “feita de vidro, rolha e madeira”, mas passa também por atribuir à fundação um euro da venda de cada garrafa, bem como um euro por cada bebida servida nos hotéis, bares e restaurantes que utilizem este ‘gin’.

Apesar de ser reciclável, quem devolver garrafas do ‘gin’ Baleia ou do ‘gin’ Rocha Negra, também micaelense, pode levar dois ‘gin’s tónicos pelo preço de um na “‘gin’ Library”, a maior coleção privada de ‘gin’s do mundo, diz o seu dono.

Seis semanas depois do seu lançamento, já foram vendidas 300 mil garrafas de Baleia, mas o seu criador espera vender muitas mais.

“Esperamos doar milhares de euros, trabalhando com os hotéis, restaurantes e bares que vendem o ‘gin’”, afirmou.

Com estes investimentos, Ali e Caroline assumem a missão de “ajudar a proteger estas ilhas magníficas e divulgar o oceano e o turismo sustentável”.

“Estamos aqui para garantir que o oceano está cá para gerações futuras e tem-se tornado claro que os Açores lideram mundialmente um turismo marinho sustentável”, acrescentou Ali.

Lusa/ DL

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