Depois de ter exposto em três países, desenhos de Catarina Branco estão na Lagoa

Obra da artista já esteve no Brasil, Estados Unidos, Espanha e no continente. A sua última exposição está no Convento de Santo António, em Santa Cruz, até 12 de abril

Artista é licenciada em Pintura e professora na Secundária de Lagoa © CML

Tem 47 anos e 15 deles foram passados na Lagoa a dar aulas de Educação Visual e História da Arte na escola secundária do concelho. Catarina Branco nasceu em Ponta Delgada mas viveu grande parte da infância nos Fenais da Luz. Depois de concluir os estudos no liceu Antero de Quental fez as malas e seguiu para Lisboa, onde completou a licenciatura em Pintura na Faculdade de Belas Artes da capital. O seu trabalho já foi contemplado no Brasil, na Califórnia, Estados Unidos, na vizinha Espanha, e várias vezes em Lisboa.

DL: O que é que mais a inspira?
Essencialmente a cultura e a paisagem açoriana, acima de tudo. Também as artes mais populares açorianas e a própria flora da ilha e a geografia também me inspira.

DL: Interessa-se pelos materiais naturais?
Interesso-me pelos materiais naturais, sim.

DL: A sua exposição no Convento de Santo António, em Santa Cruz, é composta pelo quê?
Essencialmente são desenhos escultóricos. Na primeira seção, são a preto e branco. Fiz um conjunto de desenhos em papel, papel recortado onde eu insiro todos os elementos visuais da comunicação, a forma, a textura. O objetivo é dar dinâmica, movimento e corpo ao desenho através do recorte em papel. Depois temos um conjunto de obras no fundo da exposição a preto e dourado, que não é mais do que a uma sobreposição de várias camadas de papel e que faz uma ligação mais direta à paisagem da ilha. A seguir tenho umas obras com uma ligação mais direta às artes mais populares como a tapeçaria, onde utilizo a técnica do entrelaçado, usada também na tapeçaria e onde os artesãos de vime também utilizam a mesma técnica.

DL: Aposta muito no conceito do abstrato ou varia consoante as suas criações?
A linguagem abstrata tem haver com a linguagem emotiva, os sentimentos são sobretudo abstratos, daí essa relação com o abstrato.

DL: Que tipo de peças gosta mais de criar?
Todas, desenho, pintura, escultura, sem qualquer limitação e fronteiras.

DL: Mas há alguma que lhe desperte particular interesse?
Não. Já fiz escultura, já fiz instalações, escultura de chão, pintura, desenho, não tenho preferências nem desejo ter, varia consoante o objetivo que tenho no momento.

DL: A sua exposição não tem nome, porquê?
Apenas tem o meu nome. Não quis dar um nome específico à exposição porque acaba por ser um conjunto de obras de diferentes exposições, foram compiladas, são uma mini-retrospetiva dos últimos anos.

DL: Já expôs em que locais?
Lisboa, Brasil, Califórnia, Espanha. Foram convites que foram surgindo. Hoje em dia com a internet conseguimos chegar a vários sítios do mundo e é com essa facilidade que estabelecemos contacto com outras galerias, museus e isso facilitou a deslocação.

DL: Quando é que costuma criar?
Não há critério, é muito variável.

DL: Mas mantém uma relação muito próxima entre o ensino e as artes.
Sim, a ligação existe sempre. O trabalho do atelier está em comunhão, inclusive ajuda-me muitas vezes a tirar algumas dúvidas e até os meus próprios alunos me ajudam a esclarecer e a dar algumas respostas que eu ainda não tinha. Para além disso, todos os dias acabo por trabalhar porque estou a lecionar e estou a trabalhar na área.

DL: Se pudesse deixava o ensino e dedicava-se só às artes?
Gosto muito de lecionar mas se me dessem a escolher, escolheria o trabalho de atelier obviamente.

DL: A pandemia veio afetar a sua criatividade?
Não, continuo com o mesmo registo.

DL: A inauguração da exposição é que teve de ser feita em moldes diferentes.
Sim, foi atípico porque não foi possível levar mais pessoas à inauguração mas elas podem visitá-la e inclusive os meus alunos vão visitá-la, vamos fazer uma visita de estudo. Com boa vontade tudo é possível.

DL: Que feedback tem recebido?
Positivo. Ainda não tive oportunidade de estar com as pessoas, este momento é atípico, mas o curador tem me dado bom feedback.

DL: Considera que a cultura e as artes acabam por ser um dos setores mais afetados pela pandemia?
Já eram e vão ser sempre. Enquanto não se der importância à cultura e enquanto não a valorizarem, será sempre menosprezada e vista como não prioritária.

DL: O que é que nos Açores poderia ser feito para que a cultura fosse mais potenciada?
Valorizar mais os artistas, penso que passa por aí, e o que eles fazem.

DL: Enquanto artista, o que pretende transmitir aos consumidores de arte?
Visitem as exposições, levam os vossos filhos a verem as exposições para criarem interesse, hábitos de cultura, é importante começar desde cedo.

Sara Sousa Oliveira

(Entrevista publicada na edição impressa de março de 2021)

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