Importância da formação no Desporto Açoriano

José Raimundo
Dirigente desportivo

A pandemia teve um impacto dramático no desporto de formação. O futuro é muito incerto. Muitas são as dificuldades dos Clubes que são o alicerce de todo a pirâmide desportiva, a base do desporto das Associações e das Federações. É preciso ter uma atenção especial e criar mecanismos de apoio para aqueles que, no terreno, trabalham diariamente e cumprem uma “missão de grande importância para a valorização do tecido social”.
O Desporto beneficia a saúde, que, por sua vez, melhora a qualidade de vida, aumenta a esperança média de vida e reduz o risco de desenvolvimento de doenças. O desporto é um investimento com um retorno incalculável.
Há clubes que não têm qualquer meio de subsistência, pelo que só vamos ter conhecimento desta realidade preocupante quando tudo voltar à normalidade. Há toda uma geração de formação que não se pode perder. O modelo desportivo nos Açores assenta essencialmente nos pequenos clubes, ou seja, naqueles que estão a sentir as maiores dificuldades.

Recentemente, vários partidos (PSD, CDS-PP, PPM, CH, IL) apresentaram um Projeto de Decreto Legislativo Regional n.º 20/XII que visa “excecionalmente para o ano de 2021, sempre que as atividades desportivas enquadradas pelos art.5 20.5, 45.9, 70.5 e 73.5 fiquem impossibilitadas de serem desenvolvidas por decisão do Governo Regional dos Açores, por orientação da autoridade regional de saúde ou por interrupção federativa e/ou associativa, fica autorizado o organismo regional competente em matéria de desporto, através de despacho devidamente fundamentado e que tenha em consideração a realidade desportiva e a classificação de níveis de risco provocados pela situação epidemiológica em cada ilha, a considerar cumpridas as condições para atribuição das comparticipações financeiras previstas.”

Trata-se de uma boa medida que, no entanto, peca por tardia e não é suficiente para a sobrevivência dos clubes, uma vez que em nada reverte os cortes aos Clubes na época passada. Vários foram os clubes que perderam todo o apoio e estão a passar por graves dificuldades. Para além desta medida, é importante adotar outras para apoiar os Clubes que na época passada foram prejudicados por esta falta de sensibilidade no desporto açoriano.

É preciso, igualmente, dar importância ao desporto de formação. Não pode haver discrepâncias gritantes na forma de tratamento. Ora vejamos: foi fácil cortar os apoios aos clubes na nossa formação e manteve-se o apoio da palavra “Açores”, mesmo com a interrupção das competições nacionais de seniores devido à pandemia (não refuto, de forma alguma, os apoios à palavra “Açores”). É imperativo reconhecer a importância do desporto de formação nos Açores! As Associações que tiveram a coragem, em tempo de pandemia, de manter a atividade desportiva, acabaram por prejudicar os seus Clubes, que tiveram consequências da incerteza da pandemia no dia a dia da sua atividade de treino.

É importante que a Direção Regional do Desporto mantenha o mesmo critério com o apoio às Associações na sua atividade local, mantendo os contratos programa aos Clubes, tendo como base os dados referentes a 2019, uma vez que durante o ano de 2020 foram muitas as modalidades que perderam vários atletas. É certo que a maior parte dos Clubes, pelas consequências da pandemia, vão ver, nesta época, os seus contratos programa reduzidos, motivado pela desistência de muitos atletas. Não é suficiente tapar o sol com a peneira!!!

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de abril de 2021)

Categorias: Opinião

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