Jesus é a única luz para uma humanidade ferida de trevas, afirma D. João Lavrador

O bispo de Angra presidiu à missa de Natal na Matriz da Horta e afirmou que Jesus é a “única luz” que se oferece à humanidade “ferida pelas trevas”, numa sociedade mais preocupada com o “consumo” e com os bens materiais.

D. João Lavrador, que preside pela segunda vez às celebrações natalícias na Horta, desde que é bispo de Angra, há três anos, lembra que perante “o jugo que pesa sobre os povos na atualidade, os ruídos da guerra e da violência” Jesus é o único “ caminho que leva à alegria, à festa e à paz”.

“Uma luz começa a brilhar no horizonte da humanidade de hoje só pelo facto de descobrirmos que «um Menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido», porque n’Ele está o poder capaz de tudo transformar” afirma D. João Lavrador ao interpelar as centenas de faialenses presentes na missa na Igreja Matriz da Horta.

“Mas que tipo de poder é este que não se impõe mas se propõe, que não obriga mas liberta, que não submete mas orienta para o amor?”, questiona.

“Eis a simplicidade de Deus. O ser sem qualquer contágio do ter; a manifestação do amor sem qualquer obscuridade de poder ou de domínio; a luz verdadeira sem nada que a ofusque” sublinha.

Por isso, adianta, “este anuncio que ecoou pela primeira vez há mais de dois mil anos e que despertou os humildes pastores para o maior de todos os acontecimentos da história da humanidade, continua ao longo dos tempos a confrontar as expectativas da humanidade sedenta de vida, de esperança, de alegria e de plena realização pessoal e comunitária”.

“É o mesmo eco que vem até nós com a mesma força, com a mesma mensagem e com a mesma interpelação, porque pretende responder às perguntas mais intimas do ser humano da atualidade”, prossegue.

“A pessoa humana, mergulhada numa cultura que ofusca a dimensão transcendente das criaturas, que paralisa a sua capacidade para procurar Aquele que irrompe no tempo para ser oferta divina como autêntico sentido para a vida dos homens e mulheres, que diverte com prazeres momentâneos e com seduções alienantes aqueles que deveriam matar a sede de existência nas fontes da alegria, tem absoluta necessidade de criar as condições para que este eco vindo do céu seja acolhido e desperte a caminhada para um verdadeiro encontro com Aquele que acaba de nascer”, afirma ainda D. João Lavrador.

O prelado, que preside também este dia de Natal a duas celebrações na cidade mais ocidental da Europa lembra que os cristãos devem esforçar-se por serem os portadores desta boa nova, embora este seja um caminho “difícil e exigente”.

Para um verdadeiro encontro com Deus, e consequentemente para o seu anuncio, devemos ser capazes de “renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver com ponderação, justiça e piedade no mundo presente”.

“Urge este encontro da comunidade cristã e de cada cristão com a realidade de Jesus que nasce na pobreza e na humildade para se descobrir o dinamismo que leva à evangelização do mundo de hoje. Todo aquele que se encontra com Cristo torna-se missionário da Boa Nova”, refere o prelado lembrando que na diocese se vive um momento único de caminhada sinodal que nos impele na missão.

O bispo de Angra terminou a sua homilia da noite de Natal pedindo a intercessão de Nossa Senhora, que junto do presépio contempla o Seu Filho, para que proteja e abençoe “as famílias, as crianças, os idosos e os doentes, os jovens e os excluídos, os pobres e os emigrados, os presos e os que sofrem de violência ou de injustiça e nos encaminhe pelas sendas da evangelização do mundo de hoje”.

D. João Lavrador presidirá no dia de Natal a uma missa às 8h30 da manhã na Igreja do Carmo, na cidade da Horta e à tarde, às 18h00, na Matriz da Horta.

DL/IA

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