Juventude: quem te viu… quem te vê?

Luís Mota
Terapeuta Ocupacional

Escolho iniciar esta minha opinião pública com uma citação, de Francisco Sá Carneiro, que devia servir de peça basilar para qualquer cidadão: “O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for.”. Foi com base nesta ideia que assumi o projeto de liderar uma equipa muito competente de jovens que constituem a Concelhia de Lagoa da Juventude Social Democrata. É por isto também que hoje venho falar sobre a Juventude, sobre os jovens lagoenses e sobre o que podia ser feito de diferente, na minha perspetiva.

É de enaltecer medidas como o Orçamento Participativo Jovem, contudo peca por defeito e é uma medida usual autárquica – não é nenhuma inovação. Cada caso é um caso e a nossa autarquia precisa de medidas únicas. A Juventude urge em medidas, é alarmante a necessidade que há em encaminhar os nossos jovens para hábitos e rotinas saudáveis, não dependentes.

A nossa juventude vê-se privada da prática desportiva volitiva, não federativa. Vemos os polidesportivos das nossas freguesias a serem melhorados (e muito bem!), mas depois não os vemos à disposição da população, da juventude: estão de porta fechada.

Pecamos pelo fraco incentivo camarário à habitação jovem ou à literacia não superior; não temos que ser todos doutores.

Precisamos de jovens empresários agrícolas, jovens agricultores, pescadores, carpinteiros e pedreiros. E nem sempre estes jovens têm rentabilidade no plano de estudos que está estandardizado para Portugal, seja por que razão for. Temos que pensar em adaptar e criar soluções de ofertas formativas para estes jovens que têm estas atividades como sua escolha para atividade laboral. A promoção de formações para áreas chave como a situação tributária, noções básicas de informática ou até mesmo auxílio no processo de aquisição de licença para conduzir são alguns exemplos.

Devemos focar-nos em rentabilizar todos os espaços que temos, como o parque da Macela, a Baía de Santa Cruz, o Porto dos Carneiros, a zona do Cruzeiro na Atalhada ou a Caloura em Água de Pau. Estes são espaços ideais para atividades ao ar livre ou torneios desportivos, por exemplo. Podem também ser locais para a dinamização de oficinas de escrita, de ateliers de artes plásticas ou pinturas manuais.

Podemos promover o Dia do Jovem Pescador onde a população é convidada a ir ao seu encontro, podendo aprender curiosidades sobre como a pesca é feita ou como o processo acontece, com uma envolvência da comunidade.

No ensino superior, há novamente um fraco incentivo camarário em comparação com outras autarquias: não são atribuídas bolsas de estudo – última vez foi em 2019/2020, apenas 3. E o maior problema é o de termos jovens lagoenses com dificuldades e alguns nem chegam a ingressar por falta de recursos financeiros. O regulamento estipulado não serve, é obsoleto.

Temos que ter em atenção o Desempenho Ocupacional da nossa Juventude. Uma Juventude sem um círculo ocupacional definido ou preenchido é uma juventude sem soluções, sem encaminhamento, perde-se em tentações. Temos que ser ouvidos e ter um papel ativo neste processo decisivo ou de escolha. Não chega o Conselho Municipal de Juventude se não o compusemos na sua essência por jovens; não chega ter juventudes partidárias se as pessoas estão formatadas para aderirem a estas entidades com o objetivo de chegar a cargos públicos. As Juventudes Partidárias têm que se focar nos problemas eminentes que os apresentam e, com isto, defendê-los e representá-los, independentemente da filiação política – sim, porque é isto que é ser membro ativo na política, estar para servir e não para se servir.

É urgente agir, não reagir; alguém tem que olhar por nós, jovens.

Artigo de opinião publicado na edição imprensa de junho de 2021

Categorias: Opinião

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