Lagoa celebra 25 de abril com vídeo dedicado a Zeca Afonso

A Câmara Municipal de Lagoa, através do Museu de Lagoa – Açores, vai comemorar o feriado nacional do dia 25 de abril com um vídeo documental intitulado “A música de Zeca Afonso como forma de intervenção”.

A produção deste vídeo documental centra-se no papel interventivo da música de Zeca Afonso. Para além de “Grândola Vila Morena” ter sido a senha do 25 de abril, juntamente com “E depois do Adeus” de Paulo Carvalho, há uma série de composições da autoria de José Afonso com uma carga interventiva, como “Venham mais cinco” ou “Os vampiros”.

O vídeo conta com a participação de João Afonso, músico e sobrinho de Zeca Afonso, que dará um testemunho sobre o tio e partilhará uma canção. Não obstante haver neste testemunho uma ligação afetiva. Outro momento musical está a cargo de Emanuel Bettencourt, músico açoriano natural da Graciosa e que inclusive já deu um concerto centrado nas músicas do cantor de intervenção. Aníbal Pires e João de Melo falarão, com abordagens distintas, da importância do músico homenageado para a intervenção e mobilização cívica, enquanto que Renata Correia Botelho dará um breve testemunho que culmina com a leitura de um texto da autoria de José Afonso.

Recorde-se que em tempos de ditadura a rádio era uma forma de chegar às massas pelo que a música tinha uma grande importância.

Este momento, inserido nas comemorações do 499.º aniversário de elevação de Lagoa a vila e sede de concelho e 9.º aniversário de elevação de Lagoa a cidade, ficará disponibilizado no dia 25 de abril, a partir das 11h00, na rede social Facebook e no portal da autarquia.

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso, nasceu no dia 2 de agosto de 1929, em Aveiro, e veio a falecer em 1987. Viveu vários anos no continente africano, mais precisamente em Angola e Moçambique, onde criou uma relação estreita com a natureza e com a África, refletida em muitos dos seus trabalhos.

Em 1955, iniciou uma pequena carreira como professor do Ensino Secundário e lecionou em diversos liceus e colégios, em Portugal, anos mais tarde, partiu novamente para Moçambique. Em 1967, regressou a Portugal, onde conseguiu uma colocação como professor, porém foi expulso do ensino por incompatibilidades ideológicas face ao regime ditatorial vigente, tendo começado a dedicar-se mais à música.

Assim nasceu o cantor, poeta e compositor, em que, as suas canções passam de geração em geração, incorporando a tradição cultural portuguesa, através da voz da resistência e que fez de “Grândola Vila Morena” o hino e símbolo da Revolução dos Cravos e o marco do início da Democracia em Portugal.

DL

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