Malnutrição associada à doença: impacto clínico e económico

Catarina Rola
Nutricionista
A Sua Saúde Sempre

Atualmente, hospitais pelo mundo inteiro tentam reorganizar-se perante a pressão dos números de doentes internados. E sabemos que a malnutrição, em países desenvolvidos, é uma condição debilitante de elevada prevalência em ambiente hospitalar, assim como o seu impacto na sociedade e na economia, tendo sido estimado um impacto direto e indireto a nível europeu em cerca de 170 mil milhões de euros.

Existem diversos aspetos no decurso e tratamento das doenças que são afetados pela malnutrição, e que estão associados a uma morbilidade crescente, ao prolongamento do internamento hospitalar, à diminuição da qualidade de vida e ao aumento dos custos dos cuidados de saúde. Também, os baixos rendimentos e o isolamento devido à idade ou à doença contribuem para esta malnutrição associada à doença (MAD). Estudos realizados em Portugal estimam existirem cerca de 40% de doentes em risco nutricional à data da admissão hospitalar, dependendo do estádio da doença e do grau/severidade. O custo da hospitalização destes doentes, é cerca de 20% superior ao dos doentes com o mesmo grupo de diagnóstico homogéneo, mas sem risco nutricional associado.

Um conhecimento detalhado da MAD nas referidas especialidades, permitiria uma melhor caracterização da situação em Portugal, e permitiria estabelecer uma estratégia de intervenção clínica e terapêutica, para melhorar este panorama e as suas consequências no nosso país. É óbvio e inegável que todos os problemas abordados até agora, como o estado clínico e nutricional agravados, associados a internamentos prolongados e a um prognóstico e qualidade de vida reduzidos, provocam um impacto económico enorme. De uma forma global a MAD está associada a um aumento de 45% a 100% nos custos hospitalares. E que devido a uma morbilidade aumentada, os doentes malnutridos veem prolongado o seu internamento hospitalar e o seu tratamento. Os estudos revelam que a duração média do internamento hospitalar aumenta 40% a 70% nos doentes malnutridos.

Um plano nacional para educar, rastrear e tratar doentes com MAD teria provavelmente grande impacto, para os doentes e para a evolução da sua doença e do seu tratamento, mas também para a sociedade como um todo, do ponto de vista do custo para o Sistema Regional e Nacional de Saúde. Os custos associados a este problema são muito elevados, quando comparados com o custo relativamente baixo das intervenções terapêuticas, em particular, se nos conseguíssemos focalizar na população mais afetada ou em risco.

Categorias: Opinião

Deixe o seu comentário