Natal de Cristo?

Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor.

(Lc 2, 10-11)


André Furtado
Estudante de Teologia
Seminário de Angra do Heroísmo

Estamos numa época muito especial para todas as famílias e dizemos muitas vezes que o Natal é a festa da família e, de facto, também é. Mas é muito mais que isso.

Não é só enfeites, presentes, jantares, luzes… Natal é nascimento, vida. É o dia em que nasce a Salvação para todos os povos. Aquele que nasce numas palhas é O mesmo que vai estender os seus braços no madeiro da Cruz. Natal é muito mais que fazer uma doação a alguém necessitado, é mais que trocar presentes, ato já tão ritualista nesta época. Não será um Natal analgésico? Uma vez no ano ajudar quem pede ajuda? Juntar a família para lautos banquestes? E o resto do ano, o que fazemos? De que vale fazer isso tudo se nos esquecemos de olhar para a verdadeira essência do Natal? Estamos mais preocupados com o “pijama” que vamos oferecer e não nos precupamos com o nosso coração – o prepararmo-nos para receber este Cristo que irá nascer. JESUS QUER NASCER NO TEU CORAÇÃO. Por acaso já preparaste um lugar para Ele?

Na verdade, o Natal só terá a sua plenitude se o comemorarmos com Cristo e em Cristo. Pois é Cristo que nasce. Celebrar esta solenidade não significa simplesmente recordar um acontecimento do passado, mas viver algo que toca concretamente a nossa própria história. Natal é um começo. Puer natus est nobis, “um menino nasceu” verdadeiramente, não para servir de enfeite nos presépios, não para trazer um feriado de fim de ano, não para entrar nas páginas frias dos livros de História; nasceu, sim, mas “para nós”, para nos salvar, para mudar e transformar por completo a nossa vida.

Mais do que uma festa, o Natal é uma oportunidade de encontro com Deus. É a manifestação da graça do Verbo Encarnado, que se fez homem igual a nós, exceto no pecado. O nascimento de Cristo é a certeza de que não estamos sozinhos neste mundo; é a promessa que Deus fez aos Homens, e que se cumpre: «Caminharei no meio de vós» (Lv 26,12). Deus vem ao nosso encontro, faz novas todas as coisas e anuncia-nos uma grande alegria. Este é o autêntico significado do Natal: a graça de podermos confiar na simplicidade de um pequeno bebé que veio para nos salvar.

Neste Natal, que a graça do Menino Jesus chegue a todos os lares, levando uma verdadeira abertura dos corações à fé e à verdade, na qual encontramos, «o Deus que se esconde na humildade dum menino acabado de nascer» (Bento XVI, Homilia de Natal, 2011).

Categorias: Opinião

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