Os “ses” do turismo nos Açores

Rita de Sousa Pereira
Mestranda em Gestão e Planeamento em Turismo

Se os Açores fossem um destino turístico de qualidade, com uma marca consolidada, norteado por uma estratégia sólida, seguida por todos os stakeholders, atrairiam um segmento premium. Se. Se fosse este segmento premium a visitar os Açores, este deixaria mais dinheiro, por menos massificação e impactos no território. Se fôssemos um destino sustentável, a existência da taxa turística já teria sido implementada há muito tempo. Se. Se assim fosse, com um segmento com poder de compra, a procura não oscilaria por um euro, por dois ou por três e, este tema, era um não tema.

Se quiséssemos ser um destino de qualidade, as políticas de preço não eram desajustadas à proposta do destino. Se. Se quiséssemos atrair um segmento premium, a qualificação da oferta seria uma prioridade. Se a sustentabilidade fosse uma preocupação, o POTRAA e o Plano de Estratégia e Marketing estariam atualizados. Se. Se víssemos o turismo como um setor estratégico, a competência dos decisores políticos na área seria levada a sério. Se assim fosse, as políticas públicas não arruinariam a imagem do destino.

Se a sustentabilidade social e económica tivesse mais importância e, se este tema não fosse só marketing, o trabalho já desenvolvido daria frutos. Se. Se a comunicação interna sobre a importância do turismo fosse impulsionada, talvez os comentários nas redes sociais fossem menos histéricos e infundados. Se se educasse sobre e para o turismo, se a comunidade local visse frutos vindos deste setor e os impactos negativos distribuídos por todos, a perceção pública seria diferente.

Se o investimento no setor fosse mais democratizado. Se os fundos comunitários chegassem a mais empresas. Se o dinheiro não falasse mais alto. Se qualquer coisa não servisse para oferecer aos turistas. Se o turismo não fosse visto como uma forma rápida de fazer dinheiro. Se. Se compreendêssemos a heterogeneidade do arquipélago e da sua oferta. Se as políticas fossem adaptadas às realidades locais. Se a taxa fosse estudada e implementada apenas nas ilhas com maior procura – o exemplo de São Miguel. Se ao menos as vozes dos turistas se ouvissem – afinal quem irá pagar a taxa?

Se. Se não fôssemos no caminho oposto da sustentabilidade.

Categorias: Opinião

Comentários

  1. Fernando Rocha 23 Abril, 2022, 11:59

Deixe o seu comentário