Prevalência de problemas decorrentes de comportamentos aditivos nos Açores é a menor do país

A Região Autónoma dos Açores (RAA) apresenta uma prevalência de 35,1% na experimentação de problemas decorrentes de comportamentos aditivos nos últimos 12 meses, a menor do país.

No que toca à experiência de problemas decorrentes do consumo de álcool e drogas ilícitas nos últimos 12 meses, a Região regista as segundas menores taxas do país, de 19,1% e 8,8%, respetivamente, abaixo dos totais nacionais (21,1% e 9,4%, respetivamente).

Relatórios publicados ontem pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) revelam ainda que o comportamento aditivo que causa mais problemas aos inquiridos é a utilização da internet (21%), seguido do consumo de bebidas alcoólicas (19,1%) e do consumo de drogas ilícitas (8,85%).

Relativamente à prevalência do consumo de substâncias nos últimos 12 meses, o consumo de álcool fixou-se em 83,5%, em 2018, abaixo do total nacional de 85,4%.  Os consumos acima de 40 vezes por ano abrangem 16,7% dos consumidores, a menor percentagem do país. A percentagem dos consumidores que atingiram o estado de embriaguez severa fixou-se em 1,5%, o mínimo nacional.

O consumo de tabaco e de tranquilizantes/sedativos tem vindo a descer, considerado o período 2015-2018, numa diminuição de 56,4% para 54,7%, em 2018, no caso do tabaco, e de 10% para 5,9%, no caso dos tranquilizantes/sedativos.

Quanto à prevalência de consumos de canábis nos últimos 12 meses, ainda que a taxa se posicione em 27%, ligeiramente acima do total nacional, os Açores apresentam uma frequência de consumos acima das 40 vezes de 4,6%, abaixo das outras regiões.

O arquipélago regista ainda a segunda maior prevalência no consumo recente de anfetaminas/metanfetaminas, mas a frequência de consumos acima das 40 vezes nos últimos 12 meses situa-se em 6,3% dos consumidores, valor mais baixo do país.

Apesar de apresentar a segunda maior prevalência de consumo de alucinogénios (4,1%) e cocaína (4,2%), a RAA é a região do país que regista os menores valores para consumos de frequência acima dos 40 por ano: 7,5% para alucinogénios e 3,2% para cocaína.

O mesmo acontece com heroína/opiáceos. A nossa Região tem a segunda maior prevalência de consumo (3,1%), mas a percentagem de indivíduos com consumos acima dos 40 por ano é a menor do país (4,0%).

No consumo de tranquilizantes/sedativos não prescritos, a Região regista a terceira maior prevalência de consumo, nos 5,9%, mas uma taxa de 3,3% nos consumos de frequência acima dos 40 por ano, a menor do país.

A RAA regista a segunda menor prevalência de utilização da internet ao longo da vida (96,5%). A maioria dos utilizadores apresenta consumos entre 1 a 4 horas (62,6%). As taxas de prevalência são das mais baixas do país no que se refere à utilização diária da internet para redes sociais (95,8%), jogo (55,7%) e jogo de apostas (18,2%).

Os dados apontam ainda para uma tendência de decréscimo de novos diagnósticos de infeção por VIH associados à toxicodependência, reflexo das políticas e estratégias implementadas na área das drogas, designadamente os programas de redução de riscos e minimização de danos (como a substituição opiácea e a troca de seringas).

Para aumentar o conhecimento do estatuto serológico e o diagnóstico precoce, a Secretaria Regional da Saúde, através da Direção Regional de Prevenção e Combate às Dependências, desenvolveu um projeto com a Associação ABRAÇO. Além disso, alargou as convenções para os exames complementares de diagnóstico e terapêutica das Unidades de Saúde de Ilha às instituições particulares de solidariedade social ARRISCA e Alternativa.

Em 2018, foram indiciadas 348 pessoas, no âmbito das Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT), com 359 contraordenações. Para a CDT de Ponta Delgada, foram indiciadas 242 pessoas, enquanto, para as CDT de Angra do Heroísmo e Horta, foram 79 e 27 pessoas, respetivamente.

O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências divulgou ontem os relatórios sobre a situação do país em matéria de drogas e toxicodependências e em matéria de álcool 2018. Os dados citados provêm de vários estudos, sendo que os mais recentes reportam ao Dia da Defesa Nacional 2018.

DL/Gacs

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