PSD e PPM dizem que coligação sai reforçada com reeleição de Artur Lima no CDS/Açores

© JEDGARDO VIEIRA

PSD e PPM defenderam este domingo, 09 de maio, que a coligação nos Açores saiu reforçada do congresso regional do CDS-PP, mas a IL acusou os centristas de “pretensiosismo” e o PS lembrou que foi o partido mais votado nas últimas eleições.

“A coligação sai reforçada após este congresso e a reeleição do dr. Artur Lima como líder do CDS-PP/Açores”, afirmou o líder regional do PSD e presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, em declarações aos jornalistas, no encerramento do X Congresso Regional do CDS-PP/Açores.

Líder do CDS-PP/Açores desde 2007, Artur Lima foi reeleito para um novo mandato de quatro anos, com 87,8% dos votos, concorrendo com uma lista única, e viu a sua moção de estratégia global ser aprovada por unanimidade.

Os centristas integraram, pela primeira vez, um Governo regional nos Açores, no final de 2020, depois de o PS, que governava a região há 24 anos, ter perdido a maioria absoluta nas eleições legislativas regionais, abrindo caminho a uma coligação entre PSD, CDS-PP e PPM, apoiada por acordos de incidência parlamentar com Chega e Iniciativa Liberal.

O líder regional social-democrata disse que Artur Lima fez um discurso “de confirmação de compromissos e de empolgamento relativamente à missão da governação dos Açores”, evidenciando o Programa de Governo como “ponto de coesão” entre os três partidos que integram a coligação.

Questionado sobre o alargamento da coligação às eleições autárquicas, defendido por Artur Lima na sua moção de estratégia global, Bolieiro manifestou-se favorável a essa possibilidade, alegando que a coligação tem de se “preparar para um reconhecimento da população” no poder local que potencie uma “estratégia de desenvolvimento integral dos Açores”.

O líder do PPM/Açores, Paulo Estêvão, considerou que a vitória de Artur Lima “com um apoio esmagador do congresso” é “uma boa notícia para a coligação”.

“O facto de o próprio programa político do CDS-PP, a moção de estratégia, se centrar naquilo que foi o Programa de Governo. Isso demonstra que o CDS-PP está absolutamente empenhado – coisa de que nunca duvidámos – na concretização do Programa do Governo”, frisou.

Estêvão criticou ainda, à semelhança do que tinha feito o líder centrista, a falta de “sentido de responsabilidade e serviço aos Açores” da oposição, pelas críticas à gestão da pandemia de covid-19.

“Estamos muito empenhados em circunstâncias tremendamente difíceis e muitas vezes não contamos com a solidariedade que nós prestámos ao PS numa situação anterior”, apontou.

Em resposta, o deputado do PS Berto Messias disse que “existem dados muito concretos e muito claros de que o trabalho que está a ser feito pela comissão de acompanhamento [da luta contra a pandemia] não tem surtido efeitos positivos”.

“Nós não podemos querer condicionar os partidos políticos no âmbito da crítica normal e saudável que têm de fazer”, salientou, acrescentando que tanto CDS como PSD afirmaram “discordâncias” com a gestão da pandemia no passado.

Quanto ao discurso do líder centrista, Berto Messias disse discordar de muitas das referências feitas, “algumas descontextualizadas e algumas destemperadas”.

“O Partido Socialista continuará a assumir as suas responsabilidades enquanto partido mais votado nas últimas eleições e único partido que tem no parlamento representantes de todas as ilhas. Vamos continuar a trabalhar e a fiscalizar a ação do governo e a apresentar propostas concretas”, frisou.

Já o líder da Iniciativa Liberal no arquipélago, Nuno Barata, ex-deputado e militante do CDS-PP, disse que o partido está “praticamente reduzido” a fazer parte da governação nos Açores, estranhando que não se tenha gritado “CDS” no encerramento do congresso.

“Nem o senhor presidente do CDS a nível nacional, nem o senhor presidente do CDS/Açores perceberam ainda, de facto, o que se passou nos Açores no último dia 25 de outubro e estão absolutamente equivocados sobre a estabilidade deste governo e sobre o pretensiosismo que têm sobre si daquilo que podem fazer sobre os Açores e sobre o país”, afirmou.

Nuno Barata disse ainda que as medidas de combate à pandemia nos Açores “destruíram a economia” e que os apoios chegam “apenas aos mais fortes”, alegando que o Governo Regional não pode esperar que seja “a mão invisível do mercado” a resolver os problemas.

Estiveram também presentes na sessão de encerramento do X Congresso Regional do CDS-PP/Açores representantes do PCP e do Chega, mas abandonaram o local logo após ter terminado.

Lusa/ DL

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