Santa Cruz na Lagoa com nova zona balnear

Primeira fase do projeto está concluída e no global trata-se de um investimento avaliado em cerca de 350 mil euros sendo que a obra será implementada em várias fases

Baía de Santa Cruz 21.08 RSO DL
Praia na Baía de Santa Cruz DR
Solarios Baía de Santa Cruz DL
Campo de futebol na Baía de Santa Cruz DL
WC na Baía de Santa Cruz © DR
Inauguração Baía de Santa Cruz 21.08.07 © DL
Liliane Barros e Carina Costa © DL
Banda filarmonica Estrela D´Alva © DL
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São 10h30, ouvem-se os sinos da igreja de Santa Cruz e salta à vista os muitos trabalhadores da Câmara Municipal de Lagoa (CML) que ultimam os retoques finais para deixar a emblemática Baía de Santa Cruz o mais apelativa possível para a inauguração do dia seguinte, sábado, 7 de agosto. A temática do natural, a madeira que se transforma em parqueamento para as bicicletas, as plataformas que servem para usufruto dos banhistas bem como para colocarem os seus guarda-sóis, espalham-se ao longo do espaço que serpenteia a vegetação ali agora colocada.

Maria do Espírito Santo, 65 anos, faz a sua caminhada diária naquele que é o novo espaço de lazer e de banhos na costa lagoense. Questionada pelo Diário da Lagoa (DL) sobre a obra prontamente afirma: “tenho visto turistas a tirar fotos e a apreciar o espaço” que “está maravilhoso, até apetece sair de casa e dar uma voltinha”.

Contente pelo facto do local já não ter muito movimento, não hesita em afirmar:  “daquilo que a gente sabe, de pessoas que não prestavam que vinham para aqui, isto era uma pouca vergonha”, garante.

A preocupação demonstrada pela santacruzense sobre a segurança do novo espaço leva-a a afirmar que “aqueles que estão conscientes” irão respeitar o espaço e sugere “que isto devia ter alguém a vigiar”. 

Sentado num dos muros a observar a azáfama do movimento dos trabalhadores e da retroescavadora encontramos José Soares, 60 anos, que diz que “está belíssimo, é ótimo para depois passear.”

A intervenção na Baía de Santa Cruz foi dividida em três fases e a inauguração de sábado passado foi a primeira. Segundo o vereador Nélson Santos a “segunda fase do projeto vai ser candidata a fundos comunitários”. No âmbito da reabilitação urbana, só poderá ter início após a aprovação desse fundo e o “lançamento do concurso para a sua construção”. Já a terceira e última fase diz respeito à intervenção que será depois realizada a norte da Avenida do Mar. Questionado pelo DL, o autarca assegura que o projeto poderá custar no seu todo cerca de 350 mil euros.

Devido às obras na Baía fomos tentar perceber como tinha ficado resolvida a polémica do saneamento. O vereador assegura que “quando isso foi trazido a público, se calhar pelas circunstâncias do ano em que estamos de eleições autárquicas, porque assim o é, e a democracia assim também funciona, tive a oportunidade de esclarecer o que é que existia. Nós não temos aqui saneamento a céu aberto, isso não existe, o que nós temos aqui é uma estrutura que é uma estação elevatória, que faz parte do sistema de saneamento da cidade”. 

O responsável pela pasta do ambiente da CML explica que “todas as estações elevatórias têm um bypass”, portanto “trata-se na verdade de um sistema de recolha de águas pluviais. Sempre que chove aquele tubo recolhe as águas desta estrada sendo usado em situações de necessidade de urgência”. Trata-se de um tubo que impede que haja um transbordo das águas pluviais para o mar. 

Depois desta intervenção, esse transbordo acontece na mesma mas para um sumidouro que é uma “fossa” no terreno. De acordo com Nelson Santos, só em caso de emergência e de falta de manutenção é que pode vir a chegar ao mar. 

No final da tarde de sábado e após a inauguração, abordamos Ana Santos de 39 anos e João Santos de 45 anos, um casal que estava a apreciar o novo espaço. Ao DL disseram que esta “é uma mais valia porque estava um pouco desprezada. É também um entretenimento para as crianças agora no verão, uma zona para podermos passar um bom bocadinho.” Ana Santos elogia o espaço mas João diz que necessita de ter mais ”um bocadinho de praia” mas também diz que “o que temos já está muito bom.” O filho mais velho, Martinho Santos, diz que gostou muito da zona mas que “gostava que tivesse baloiços para brincarmos.”

 

Materiais utilizados podem ser recolhidos no inverno

Uma das figuras responsáveis pela realização do projeto foi a arquiteta Liliane Barros. A arquiteta, nascida em França e que na infância se mudou para o Porto mas agora a residir em São Miguel, refere que quando viu o espaço olhou “já com o objetivo de requalificá-lo” e “agarrar todo o potencial ambiental e paisagístico que já existia“. 

A arquiteta explica que “esta primeira fase é a requalificação da Baía, dos espaços exteriores e dos jardins. A segunda fase será um edifício que está pensado para aqui e que é um edifício de apoio à área balnear, uns balneários com uma sala, espécie de “smart quiosque”, uma sala polivalente ligada às tecnologias, aberta à comunidade, que está virada para o mar e que pode ser um espaço multifuncional, aberto à comunidade para eventos culturais, para ações de sensibilização para crianças, exposições de artistas daqui da região”.

Ao descrever o projeto relativo ao edifício, diz que “ele brota da terra e à medida que se vai aproximando do mar vai ganhando altura. É um edifício que será revestido em madeira também. O primeiro grande impulsionador [de todo o projeto] foi o edifício” que será construído. 

Um dos principais critérios apresentados pela arquiteta e pela engenheira Carina Costa visam tornar o “espaço o mais próximo do seu estado selvagem” e a promoção da “utilização de materiais que pudessem ser facilmente removíveis” no inverno.

Carina Costa, furnense e responsável pelo jardim do Parque Terra Nostra, mostrou-se “um pouco apreensiva porque a zona é sempre difícil para construir um jardim devido à proximidade do mar”. Salienta que a escolha das plantas para aquela zona teria de ser algo muito bem feito devido à “dificuldade das plantas se adaptarem” ao espaço costeiro.

A engenheira refere que “foi por isso que me chamaram para apoiar na escolha das plantas para perceber o que se adaptaria mais ali”.

“Pensei logo na criação daqueles relevos junto à costa da linha da água. Na altura a ideia principal foi criar relevo para criar ali alguma estética mais atraente para não ficar com um ar de campo de futebol ou de golfe, e por outro lado a proteção de algumas plantas mais próximas do mar. A ideia dos montes e depois das rochas também foi para criar algum interesse ao longo do passeio para as pessoas não verem só relva e plantas”, destaca Carina Costa.

A nova zona balnear de Santa Cruz tem um circuito com cerca de dois quilómetros entre zona de relva e vegetação, sempre ao lado do mar. Ao longo da costa, foram criados vários solários em madeira e uma zona com wc’s e duches para usufruto dos banhistas.

A inauguração do sábado contou com a presença da presidente da CML, Cristina Calisto bem como do presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, Sérgio Costa e demais membros ligados ao poder local. A cerimónia, que seguiu o protocolo sanitário imposto pela pandemia, contou ainda com a presença da Filarmónica Estrela D’ Alva e dezenas de curiosos que aproveitaram o momento para conhecer o novo espaço. 

Sofia Magalhães
com Clife Botelho

Categorias: Reportagem

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