Sindicato diz que “falta” de professores “vai piorar” nos Açores

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O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) considerou esta sexta-feira, 24 de setembro, que a “falta” de professores vai “piorar” através de “diferenças significativas” entre as ilhas periféricas e as mais centrais, defendendo incentivos à fixação de docentes.

Na sequência de uma análise ao arranque do ano letivo, o SPRA refere que, “quando se percorrem as escolas, depara-se com uma classe envelhecida, com os problemas e as afeções próprios da idade, mas, sobretudo, pessoas exauridas com o trabalho burocrático e com as inúmeras adaptações às constantes alterações impostas nos currículos e nos métodos pedagógicos e avaliativos de experiências sucessivas, que se alteram por desígnios políticos, geralmente, sem avaliação nem consolidação das experiências anteriores”.

De acordo com uma nota de imprensa do sindicato, a “tendência estrutural para a falta de professores, antes de melhorar, vai piorar, assumindo, nos Açores, diferenças significativas entre as ilhas periféricas e as mais centrais”.

Os sindicalistas exemplificam com os docentes pertencentes aos quadros das Flores, onde “apenas lá permanecem cerca de 50%, e do Corvo, 33%”, o que “exige a aplicação imediata dos incentivos à fixação de pessoal docente nas ilhas mais periféricas, conforme o SPRA tem vindo a defender nos últimos anos”.

Segundo o SPRA, a falta de docentes “põe em causa a medida conjuntural do Governo de recuperação de aprendizagens, assim como a medida estrutural de redução do número de alunos por turma, medida muito positiva, sistematicamente reivindicada pelo SPRA”.

“No primeiro caso, porque os tempos destinados a apoios e recuperação de aprendizagens são utilizados para colmatar faltas de docentes, no segundo, porque a redução do número de alunos por turma obriga a ter mais docentes no sistema e estes não existem! Foram, irresponsavelmente, afastados da profissão por sucessivas políticas que desvalorizam a educação e a profissão docente”, refere o sindicato.

O SPRA afirma que, “neste arranque do ano letivo, foi ainda possível detetar, de forma transversal às unidades orgânicas do ensino público, a falta de assistentes operacionais”, sendo que, “segundo os conselhos executivos, não foram autorizadas novas contratações nem prorrogação de contratos já existentes, neste grupo profissional, que, para além de envelhecido, está longe de colmatar as necessidades sistémicas”.

“Igual tratamento tiveram alguns quadros técnicos, nomeadamente psicólogos”, frisa-se.

Os sindicalistas reivindicam um “reforço de recursos materiais”, uma vez que, nos equipamentos, “as queixas mais acentuadas relacionam-se, em grande número, com a rede de internet, concretamente no que diz respeito à cobertura e rapidez, manifestamente insuficientes”.

O SPRA aponta que existem “obsoletos computadores de secretária” e os novos computadores portáteis entregues às escolas são “de baixa qualidade e com ecrã demasiado pequeno”.

O sindicato reafirma a “necessidade de testagem da comunidade escolar ao novo coronavírus, pelo menos, nas ilhas de São Miguel e Terceira, onde a taxa de vacinação é mais baixa, sendo, por isso, necessárias mais medidas preventivas”.

Lusa/ DL

Categorias: Educação

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