Vila Franca do Campo coopera com Governo regional na recuperação de aprendizagens

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O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo e a secretária regional da Educação dos Açores destacaram hoje a importância da “cooperação” entre as duas entidades para a implementação do programa de recuperação de aprendizagens.

A iniciativa, anunciada na terça-feira pela secretária regional da Educação, Sofia Ribeiro, mereceu uma “saudação” e uma “resposta imediata” por parte da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, adiantou hoje o presidente do município, Ricardo Rodrigues.

Em causa está a implementação de um programa de recuperação de aprendizagens para as escolas dos concelhos da Ribeira Grande e Vila Franca do Campo, que permaneceram mais tempo com ensino à distância, devido à pandemia de covid-19.

“A delimitação da parte pedagógica, naturalmente que não compete à Câmara Municipal, sim às escolas e à Secretaria Regional”, mas “a Câmara Municipal disponibilizará todos os meios, quer logísticos, quer financeiros, para que os jovens vilafranquenses tenham êxito na recuperação de algum tempo que perderam neste último ano e meio”, afirmou o autarca.

Ricardo Rodrigues falava aos jornalistas à margem de uma reunião que juntou a autarquia, a secretária regional e várias entidades do concelho, com o intuito de preparar a implementação do plano.

O presidente da Câmara destacou que “o elevador social que é a educação não pode ser desperdiçado em oportunidade, mas que em pandemia, e, por isso mesmo, as entidades públicas têm esse dever de cooperação”.

“Um dever que é estratégico, porque, quer queiramos quer não, as Câmaras Municipais conhecem melhor o seu terreno, conhecem melhor as dificuldades sociais, conhecem melhor quais são os problemas que vão surgir”, prosseguiu.

O objetivo, adiantou na terça-feira Sofia Ribeiro, é colocar em prática, já nas férias de verão, “um plano” onde se possa “orientar as tarefas e os trabalhos lúdicos” dos alunos para “as necessidades reais dos estudantes”, quer seja ao nível emocional, como ao nível de integração social, complementadas com o domínio da leitura e da escrita, de acordo com as estratégias definidas pelos professores.

Hoje, a governante sublinhou que “não há sucesso em políticas que sejam definidas unilateralmente, só pode haver sucesso, se houver uma construção conjunta”.

“O que estamos a criar hoje são equipas que, devidamente orientadas e apoiadas, pela Secretaria Regional e pelas duas autarquias, possam dar outras respostas educativas às nossas crianças nos dois concelhos que foram os mais assolados pela pandemia e que tiveram mais aulas à distância ao longo destes dois anos escolares”, explicou.

A responsável pela tutela esclareceu ainda que não se pretende “apenas reforçar as aulas”, mas sim “dar outro tipo de respostas que também são igualmente positivas”, como “incentivar as aprendizagens informais e não formais”.

“Esta iniciativa não se pode esgotar aqui”, alertou a governante, lembrando que ainda decorre um ano letivo e que “ainda haverá tempo” para que as escolas “façam a avaliação da condição dos alunos”.

O processo de recuperação das aprendizagens “contém várias fases e características” e “não se esgota em poucos meses de resolução”, afirmou Sofia Ribeiro, salientando que o programa para o período de férias será mais lúdico.

“Não queremos mais matemática, não queremos mais português, queremos a dinâmica de outras atividades lúdicas que permitam às nossas crianças e aos nossos jovens adquirirem outras competências”, concretizou.

Para isso, o programa quer servir-se de algumas estruturas já existentes, como os Centros de Atividades de Tempos Livres (CATL) para “potenciar, alargar, o índice de abrangência a mais crianças, por essa via, e, por outro lado, adequar melhor estas respostas que já são dadas com grande qualidade”, acrescentou.

A governante esclareceu ainda que a parceria com os CATL é mais orientada “para os alunos e as crianças das mais tenras idades”, mas que “isso não inviabiliza que as escolas, no âmbito da sua autonomia, e ao abrigo deste projeto, também não possam desenvolver programas semelhantes com outras instituições”.

Lusa/ DL

Categorias: Educação

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